Por Equipe CombustívelBR · 28 de outubro de 2026
Em 27 de outubro de 2026 o governo federal renovou por mais 30 dias a subvenção ao óleo diesel rodoviário, mantida em R$ 2,12 por litro. É o maior valor desde que o programa começou, em março. Mesmo assim, quem abastece um caminhão, uma picape ou um utilitário a diesel não viu o preço cair: segundo a pesquisa semanal da ANP, o diesel S10 está hoje mais caro do que antes de o subsídio ser ampliado. Entenda por quê.
O dinheiro não vai para o posto nem para o motorista. A subvenção é paga aos produtores e importadores de diesel autorizados pela ANP, que precisam aderir ao programa, dar o desconto no preço de venda e registrar o valor na nota fiscal eletrônica. A ANP habilita as empresas, confere as notas e faz o pagamento. Quem descumpre as regras pode ser multado ou perder a autorização para atuar no setor.
Os R$ 2,12 por litro são a soma de duas parcelas:
- R$ 1,12 por litro, em vigor desde 1º de junho, com o mesmo valor para o diesel nacional e o importado.
- R$ 1,00 por litro, acrescentado em setembro, quando o petróleo Brent passou de US$ 100 o barril. O valor total de R$ 2,12 vale desde 27 de setembro.
A segunda parcela tem como base a Medida Provisória 1.391, de setembro, que permite conceder o subsídio em períodos de até 30 dias, renováveis. O valor por litro é definido pelo Ministério da Fazenda por portaria — por isso a renovação desta semana não precisou de uma lei nova. Segundo o governo, o custo é coberto por receitas extraordinárias do petróleo, como royalties e participações especiais.
Além dos R$ 2,12, existe desde 13 de outubro um bônus temporário de R$ 1,40 por litro só para o diesel importado, criado por 30 dias para estimular as importações e garantir o abastecimento.
- Março: subvenção de R$ 0,32 por litro, a primeira resposta à alta do petróleo com o conflito no Oriente Médio.
- Abril: R$ 0,80 por litro para o diesel nacional e R$ 1,20 para o importado, com metade do custo bancada pelos estados.
- Junho: valor único de R$ 1,12 por litro para produtores e importadores.
- Setembro: parcela extra de R$ 1,00, levando o total a R$ 2,12.
- Outubro: bônus de R$ 1,40 para o importado e renovação dos R$ 2,12 por mais 30 dias.
Se o subsídio dobrou no fim de setembro, por que o preço não caiu? A pesquisa semanal da ANP nos postos mostra que o diesel subiu justamente nesse período. Preço médio nacional por litro:
- 30/08 a 05/09: S10 a R$ 6,88 e comum (S500) a R$ 6,47
- 06/09 a 12/09: S10 a R$ 6,97 e S500 a R$ 6,55
- 13/09 a 19/09: S10 a R$ 7,13 e S500 a R$ 6,65
- 20/09 a 26/09: S10 a R$ 7,33 e S500 a R$ 6,85
- 27/09 a 03/10: S10 a R$ 7,35 e S500 a R$ 6,90
- 04/10 a 10/10: S10 a R$ 7,36 e S500 a R$ 6,98
- 11/10 a 17/10: S10 a R$ 7,34 e S500 a R$ 7,00
- 18/10 a 24/10: S10 a R$ 7,32 e S500 a R$ 6,99
Em oito semanas o diesel S10 subiu R$ 0,44 por litro (6,4%) e o S500, R$ 0,52 (8%). Depois que a parcela extra entrou em vigor, a alta perdeu força e o S10 recuou R$ 0,04 desde o pico da semana de 4 a 10 de outubro — mas ainda está longe do patamar de agosto. No mesmo período, a gasolina comum ficou praticamente parada, entre R$ 6,49 e R$ 6,55.
O subsídio foi desenhado para segurar a alta, não para baixar o preço. O governo diz que o objetivo é reduzir o impacto da volatilidade internacional no mercado brasileiro. Na prática:
- O desconto entra no preço do produtor e do importador. Se o custo de importar o diesel sobe mais rápido do que o subsídio, o preço final sobe mesmo assim — só que menos.
- Uma parte grande do diesel consumido no Brasil vem de fora (entre um quarto e um terço, conforme a fonte oficial e o mês), e esse diesel acompanha o preço internacional.
- O preço na bomba também depende de câmbio, frete, mistura obrigatória de biodiesel e das margens de distribuidoras e postos. Nenhum desses elos é obrigado a repassar o desconto no mesmo dia.
Dá para ver o efeito de "freio" nos números: a alta mais forte foi em setembro, antes da parcela extra; depois de 27 de setembro, o preço parou de subir e começou a recuar devagar.
Na semana de 18 a 24 de outubro, o preço médio do diesel S10 por estado, segundo a ANP, ia de R$ 6,87 a R$ 8,21 por litro. Os mais baratos:
- Espírito Santo: R$ 6,87
- Minas Gerais: R$ 7,05
- Rio de Janeiro: R$ 7,15
- Rio Grande do Sul: R$ 7,16
- Amapá: R$ 7,21
E os mais caros:
- Acre: R$ 8,21
- Piauí: R$ 7,70
- Mato Grosso: R$ 7,60
- Roraima: R$ 7,60
- Rondônia: R$ 7,57
Em São Paulo o S10 estava a R$ 7,32, igual à média nacional. Veja o ranking das cidades do seu estado na página do diesel S10 — por exemplo, diesel S10 em São Paulo ou diesel S10 em Minas Gerais.
Para um caminhão que consome 10 mil litros de diesel por mês, cada R$ 0,10 por litro representa R$ 1.000 mensais. A alta de R$ 0,44 do S10 desde o começo de setembro significa R$ 4.400 a mais por mês para essa frota. Por isso, comparar postos vale ainda mais para o diesel: na pesquisa de 18 a 24 de outubro, em 8 de cada 10 cidades com pelo menos cinco postos pesquisados, a diferença de preço do S10 entre o posto mais barato e o mais caro passou de R$ 0,30 por litro (na cidade típica, R$ 0,60).
O diesel comum (S500) está R$ 0,33 mais barato que o S10 na média nacional, mas só pode ser usado em motores mais antigos. Antes de trocar, veja a diferença entre diesel S10 e diesel comum.
A renovação vale por 30 dias e, segundo o governo, pode ser estendida de novo conforme o mercado internacional. O bônus de R$ 1,40 do importado também tem prazo de 30 dias. Se o subsídio não for renovado no fim de novembro, a tendência é o diesel voltar a subir na mesma proporção do valor retirado. A pesquisa da ANP sai toda semana: procure a sua cidade na página inicial para ver o preço médio e os postos mais baratos de diesel.