MP do Imposto Seletivo: carro vai pagar 30%? O que muda em 2027 e o que acontece com a gasolina

Por Equipe CombustívelBR · 05 de novembro de 2026

Circula nas redes que o governo vai cobrar 30% de imposto sobre carros. Não é bem assim. A Medida Provisória nº 1.399, publicada em edição extra do Diário Oficial em 4 de novembro de 2026, fixa as alíquotas do Imposto Seletivo para 2027. Para carros de passeio, a alíquota-base é de 6,3%. Os 30% existem, mas só no pior caso possível: um carro a diesel muito potente e sem nenhum desconto. Veja o que a MP diz, quanto cada tipo de carro deve pagar e o que muda no preço do combustível.

O que é o Imposto Seletivo

O Imposto Seletivo, apelidado de "imposto do pecado", foi criado pela reforma tributária para produtos considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, como cigarros, bebidas alcoólicas, bebidas açucaradas e veículos. Ele começa a ser cobrado em 2027, no mesmo momento em que o IPI deixa de existir para quase todos os produtos. A MP define as regras só para 2027. O governo tem até 31 de maio de 2027 para enviar ao Congresso um projeto de lei com as alíquotas que valem a partir de 2028.

Pelo texto, a MP produz efeitos a partir de 1º de fevereiro de 2027. Até lá, nada muda no preço dos carros por causa dela. Como é uma medida provisória, o Congresso ainda precisa aprová-la, e pode alterar o texto.

Como a alíquota de cada carro é calculada

A conta tem três passos:

- Alíquota-base: 6,3% para carros de passeio (posição 87.03 da tabela de produtos). Para alguns utilitários e picapes da posição 87.04, a base é de 3,9%.
- Ajustes: a MP soma ou subtrai pontos conforme cinco critérios: tipo de motor, eficiência energética, potência, segurança e reciclabilidade.
- Fator de conversão: o resultado é multiplicado por 1,21. Para veículos importados, o fator é de 1,17.

O critério que mais pesa é o tipo de motor. Os ajustes para carros de passeio são:

- Elétrico: −2,0 pontos
- Híbrido plug-in flex ou a etanol: −2,0 pontos
- Híbrido completo flex ou a etanol: −1,5 ponto
- Híbrido leve flex ou a etanol: −1,0 ponto
- Etanol: −0,5 ponto
- Flex: sem ajuste
- Híbrido plug-in a gasolina: +2,0 pontos
- Híbrido completo a gasolina: +3,0 pontos
- Híbrido leve a gasolina: +4,5 pontos
- Gasolina: +6,5 pontos
- Diesel: +12,0 pontos

Os outros critérios mexem menos: eficiência energética pode tirar até 2 pontos, segurança até 1 e reciclabilidade até 2. A potência vai de −2,15 pontos para os motores mais fracos (até 55 kW, cerca de 75 cv) até +6,5 pontos para os mais fortes (acima de 290 kW, cerca de 395 cv).

Quanto cada tipo de carro paga

Aplicando a regra da MP só com o ajuste de motor, antes dos outros quatro critérios, as alíquotas ficam assim:

- Elétrico: cerca de 5,2%
- Híbrido completo flex: cerca de 5,8%
- Etanol: cerca de 7,0%
- Flex: cerca de 7,6%
- Gasolina: cerca de 15,5%
- Diesel: cerca de 22,1%

Na prática, um carro popular flex com motor pequeno e boa eficiência fica abaixo dos 7,6%, porque ganha descontos de potência e eficiência. Já o teto de 30% só aparece somando tudo de ruim: diesel (+12), potência acima de 290 kW (+6,5), nenhum desconto e o fator de 1,21. É daí que vem o número que circula, mas ele não vale para a maioria dos carros vendidos no Brasil.

São estimativas feitas a partir das tabelas da MP. A fórmula final aparece no anexo do texto oficial, e o valor de cada modelo depende da classificação feita pelo governo.

Há isenção?

Sim. Ficam com alíquota zero os carros comprados por pessoas com deficiência ou com transtorno do espectro autista e por taxistas, desde que reconhecidos pela Receita Federal. Também ficam com alíquota zero os modelos com registro de "versão sustentável" no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Caminhões com peso bruto a partir de 3.500 kg não pagam o imposto, mas picapes não contam como caminhão.

O carro vai ficar mais caro?

Não necessariamente. O Imposto Seletivo entra no lugar do IPI, que hoje já é cobrado dos carros e também varia conforme motor e eficiência. Segundo o governo, a ideia para 2027 é manter uma carga parecida com a de hoje, e qualquer ganho de arrecadação deve ser compensado com redução na alíquota da CBS, o novo tributo federal. A mudança real deve aparecer entre os tipos de carro: quem polui mais paga mais, e flex, híbridos e elétricos pagam menos.

E a gasolina, muda alguma coisa?

Não. A MP não cobra Imposto Seletivo sobre gasolina, etanol ou diesel. Essas palavras só aparecem no texto como tipos de motor. A extração de petróleo e de minérios fica com alíquota zero até o fim de 2027. O preço na bomba continua dependendo da Petrobras, do ICMS dos estados e do PIS/Cofins e da Cide, que estão zerados para a gasolina só até 9 de novembro. Veja quanto a gasolina pode subir com a volta desse imposto.

O que isso significa para quem vai trocar de carro

Se você pensa em comprar um carro em 2027, a MP reforça uma tendência: carro só a gasolina ou a diesel tende a pesar mais no bolso, tanto no imposto quanto no combustível. No Brasil, a maioria dos carros novos é flex, e esses ficam no meio da tabela. Para comparar o gasto mensal de um elétrico com o de um carro a combustão, use a comparação elétrico x gasolina ou veja os modelos elétricos à venda. Para decidir entre etanol e gasolina no posto, use a calculadora de combustível.

Vamos atualizar este texto se o Congresso mudar a MP ou se o governo publicar a regulamentação de cada modelo.

← Voltar para o blog