Por Equipe CombustívelBR · 02 de novembro de 2026
A gasolina está sem PIS/Cofins e sem Cide desde 10 de outubro de 2026, mas o benefício tem data para acabar. O Decreto nº 13.134 zera esses tributos federais só até 9 de novembro. Se o governo não publicar um novo decreto até lá, a cobrança volta em 10 de novembro e o preço na bomba tende a subir. Veja quanto pode ser e o que fazer antes.
O decreto, publicado em edição extra do Diário Oficial em 9 de outubro, reduziu a zero as alíquotas de PIS/Pasep e Cofins sobre a gasolina e a alíquota da Cide, de 10 de outubro a 9 de novembro de 2026. O etanol hidratado também ficou sem PIS/Cofins no mesmo período. O texto não prevê renovação automática: para o desconto continuar, é preciso um decreto novo.
Antes disso, de 10 de setembro a 9 de outubro, já valia um corte parcial de PIS/Cofins, de R$ 0,63 por litro. O decreto de outubro aumentou o desconto total para R$ 0,89 por litro. Os dois cortes foram temporários, então, sem nova decisão, o que volta é o imposto cheio.
- O governo prorroga a isenção. Nada muda no preço por causa do imposto.
- O governo volta ao corte parcial de setembro (R$ 0,63). Os tributos sobem R$ 0,26 por litro de gasolina pura, cerca de R$ 0,18 por litro na bomba.
- O imposto volta inteiro. Os tributos sobem R$ 0,89 por litro de gasolina pura, cerca de R$ 0,62 por litro na bomba.
Por que o valor na bomba é menor? Os tributos incidem sobre a gasolina pura (gasolina A). A gasolina comum vendida no posto leva cerca de 30% de etanol anidro, então só uns 70% do litro sentem a mudança. O ICMS, imposto estadual, é um valor fixo por litro e não muda.
Pouco. Na pesquisa semanal da ANP, a média nacional da gasolina comum era de R$ 6,54 na semana de 4 a 10 de outubro, antes do decreto. Na semana de 18 a 24 de outubro, já com o imposto zerado, estava em R$ 6,49. Foi uma queda de R$ 0,05, cerca de um quarto dos R$ 0,18 que o corte novo permitia.
Em alguns estados a redução foi maior: Amapá (−R$ 0,33), Amazonas (−R$ 0,28), Distrito Federal (−R$ 0,21) e Goiás (−R$ 0,20). Em São Paulo, Minas Gerais e Paraná a média praticamente não mudou. Em Rio Grande do Norte e Acre o preço até subiu.
Isso importa para a volta do imposto. Distribuidoras e postos costumam repassar aumentos mais rápido do que reduções. Quem já não recebeu o desconto pode ver o preço subir assim mesmo.
A lista parte da média oficial da ANP de cada estado na semana de 18 a 24 de outubro e soma os R$ 0,62 por litro do pior cenário, com o imposto de volta por inteiro. Se o governo voltar ao corte parcial, some só R$ 0,18:
- Rio Grande do Sul: de R$ 6,16 para até R$ 6,78
- Santa Catarina: de R$ 6,29 para até R$ 6,91
- Paraíba: de R$ 6,31 para até R$ 6,93
- Minas Gerais: de R$ 6,32 para até R$ 6,94
- Amapá: de R$ 6,35 para até R$ 6,97
- São Paulo: de R$ 6,35 para até R$ 6,97
- Distrito Federal: de R$ 6,39 para até R$ 7,01
- Espírito Santo: de R$ 6,39 para até R$ 7,01
- Mato Grosso do Sul: de R$ 6,40 para até R$ 7,02
- Goiás: de R$ 6,42 para até R$ 7,04
- Maranhão: de R$ 6,52 para até R$ 7,14
- Paraná: de R$ 6,57 para até R$ 7,19
- Pará: de R$ 6,58 para até R$ 7,20
- Rio de Janeiro: de R$ 6,59 para até R$ 7,21
- Alagoas: de R$ 6,64 para até R$ 7,26
- Bahia: de R$ 6,70 para até R$ 7,32
- Piauí: de R$ 6,71 para até R$ 7,33
- Mato Grosso: de R$ 6,75 para até R$ 7,37
- Rio Grande do Norte: de R$ 6,76 para até R$ 7,38
- Pernambuco: de R$ 6,88 para até R$ 7,50
- Sergipe: de R$ 6,93 para até R$ 7,55
- Ceará: de R$ 6,94 para até R$ 7,56
- Tocantins: de R$ 6,94 para até R$ 7,56
- Amazonas: de R$ 7,03 para até R$ 7,65
- Acre: de R$ 7,43 para até R$ 8,05
- Rondônia: de R$ 7,43 para até R$ 8,05
- Roraima: de R$ 7,56 para até R$ 8,18
Na média nacional, a gasolina passaria de R$ 6,49 para até R$ 7,11 por litro, uma alta de até 9,6%. São números de teto: o preço real depende de quanto e quando cada posto repassar.
No pior cenário, encher um tanque de 50 litros fica até R$ 31 mais caro; um de 40 litros, até R$ 24,80. Quem roda 1.000 km por mês com um carro que faz 12 km/l gasta cerca de 83 litros, ou até R$ 52 a mais por mês.
O etanol hidratado também perde a isenção de PIS/Cofins, de R$ 0,19 por litro. Como ele é vendido puro, esse valor pode chegar inteiro à bomba: a média nacional passaria de R$ 4,11 para até R$ 4,30.
Mesmo assim, o etanol fica relativamente mais barato. Hoje ele custa 63% da gasolina na média nacional; no pior cenário, a relação cai para cerca de 60%. Pela regra dos 70%, o etanol compensa para a maioria dos carros flex nos dois casos, e a vantagem cresce com a volta do imposto. Faça a conta com os preços do seu posto na calculadora de combustível.
Se o seu tanque estiver na metade ou abaixo, encher até 9 de novembro é uma aposta de baixo risco: no pior cenário você economiza até R$ 0,62 por litro, e no melhor (prorrogação) não perde nada. Não vale estocar combustível em galão: é arriscado e só pode ser feito em recipiente certificado.
Mais importante que a data é o posto. A diferença entre o mais caro e o mais barato de uma mesma cidade costuma passar de R$ 0,50 por litro, quase o tamanho da alta inteira. Veja os postos mais baratos da sua cidade pela página inicial ou com a busca perto de mim. Quem vai viajar no feriado de 20 de novembro pode comparar os postos do caminho na busca por rota.
A ANP publica a pesquisa de preços toda semana, com alguns dias de atraso, e o CombustívelBR atualiza cada cidade assim que os dados saem. Se o imposto voltar, a pesquisa da semana de 8 a 14 de novembro já pega os primeiros dias de cobrança, e a de 15 a 21 de novembro mostra a primeira semana inteira. Acompanhe a média do país na página de preço da gasolina no Brasil. Vamos atualizar este texto quando o governo decidir sobre a prorrogação.